sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A porta de entrada

Por mais que ainda se pense que as drogas, lícitas e ilícitas, chegam à escola graças a ações engenhosas de traficantes (balas com cocaína e outras criações mirabolantes "vendidas pelo pipoqueiro"), o fato é que elas entram pelas mãos dos próprios alunos. Por isso, o delegado Carlos Roberto Alves de Andrade, do Departamento de Investigações sobre Narcóticos de São Paulo, diz que é importante manter algum tipo de controle sobre o entra-e-sai dos portões."As escolas públicas em que a vigilância é menos cuidadosa são mais vulneráveis", afirma. Na pesquisa da CNTE, 2,3 mil instituições foram entrevistadas e 12,9% das estaduais e 5,4% da municipais apontarem o tráfico dentro dos muros(contra apenas 0,3% das privadas). O que não significa, é claro, que não haja consumo e comércio entre os jovens das classes mais favorecidas. Ao contrário.
Quando a mãe de Adriano descobriu que ele fumava maconha em vez de ir à aula, resolveu mandá-lo para o interior, para morar com o pai. O garoto passou de uma escola pública para uma particular e, numa cidade ou noutra, nunca teve dificuldades para encontrar drogas.
Aos 11 anos, ele viu um colega ser expulso por carregar maconha na mochila - medida recorrente entre os que acham que o problema está no aluno e, para eliminá-lo, basta colocar o jovem para fora. Como diz o próprio Adriano no depoimento tanto na escola pública como na particular ele se cansa de ver rodas de alunos fumando no pátio. Vamos expulsar todos?
O diálogo livre de preconceitos e imposições é necessário em três dimensões: escola e aluno, escola e família e pais e filhos. Infelizmente, isso é pouco comum. Levantamento realizado pela Unesco, órgão das Nações Unidas responsável pela promoção de Educação e Cultura, mostra que 45% dos estudantes de 6° ao 9° ano se recusam a tocar no assunto com a mãe - e 55%¨dizem não fazer isso com o pai. "Por estar muito mais tempo com os jovens, cabe à escola aproximar-se das famílias e propor uma divisão clara de tarefas. Caso contrário, eles viram filhos de ninguém e ficam mais vulneráveis aos entorpecentes", diz Mônica Santos, da UFRJ. O primeiro passo, todos concordam, é banir o discurso do "aqui não entram drogas" e reconhecer que elas estão em todo lugar. O que é preciso é aprender a viver sem.

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